ACADEMIA DE LETRAS DE FEIRA DE SANTANA
               A  Academia Feirense de Letras é uma instituição sem fins lucrativos que tem por
finalidade difundir a cultura no meio feirense. Fundada em 1976, a Academia passou por
diversas sedes provisórias até se instalar no endereço Pça. João Pedreira, 24- sl. 03, terreo-
Centro- Feira de Santana- Bahia.
DEPOIMENTO DE UM FUNDADOR
Passamos a existir em 1976, desde aquela noite de setembro, quando nos
reunimos no auditório da Loja Maçônica Harmonia, Luz e Sigilo.
Na verdade, o início da nossa Casa data de bem antes... Era bastante
comum, em Feira de Santana, a formação de grupos que se reuniam com o intento
de mostrar seus poemas e sua prosa, além de se enriquecer com o trabalho dos
amigos. E foi, exatamente, num desses grupos que um grupo de jovens plantou a
semente da Academia. O grupo liderado por Pedro Apóstolo Filho se reunia, aos
fins de semana, pela manhã, nos fundos da Confeitaria Aurora de propriedade de
Pedro e os jovens, Benjamim Batista e Djalma Gomes, estudantes em Salvador,
sempre ia lá misturar a alegria da juventude com os cabelos brancos e a experiência.
Os nomes mais respeitados como intelectuais e poetas da cidade, geralmente
senhores de meia idade, atendiam ao convite de Apóstolo Filho, na época, um
respeitável cidadão de aproximadamente sessenta anos que, em Candeal,  ainda na
tenra idade, demonstrou sua veia artística e poética, quando organizou o grupo
“Apóstolo e seus Acadêmicos Teatrais” para a alegria do povo candealense.
Apóstolo costumava deixar a porta da frente da confeitaria aberta e os
amigos iam chegando e trazendo novas pessoas interessadas. Assim, passavam as
manhãs em tertúlias que, não raro, iam até o meio da tarde.
O espaço foi ficando pequeno, e os jovens que frequentavam ambientes
acadêmicos na capital propuseram oficializar os encontros, criando uma academia
de letras. Foi um burburinho! A maioria acreditava que Feira de Santana não tinha
condição de ter um sodalício enquanto outros, como Antonio Lopes e Alberto
Boaventura, segundados pela ala jovem, gente como Benjamim Batista, Djalma
Gomes, Evandro Cardoso e Floriano Melo, defendiam a criação, citando como
exemplo a academia de Ilhéus.  Depois de inúmeras conversas, os “meninos”
quebraram a resistência dos sisudos senhores e o poeta Alberto Boaventura, figura
respeitada não só como vate, mas, também, pelo fato de ser funcionário da Mesa de
Rendas do Estado e maçom, ficou encarregado de procurar um local maior para as
futuras reuniões, conseguindo o espaço do auditório da Loja Maçônica Harmonia,
Luz e Sigilo.
Aqui um parêntese: na ocasião, este presidente tinha pouco mais de um 
ano na cidade (transferido do Banco do Brasil, de Salvador, onde ficara pouco
tempo, sem adaptação à cidade grande, vindo de cidade de pequeno porte), e, na
agência do banco em Feira de Santana, conheci  Alberto Boaventura. Confessei  que
fazia versos, e ele me convidou a visitar sua casa, onde, timidamente, mostrei as
minhas tentativas no campo da poesia. Por isso, quando ocorreu a primeira reunião,
o poeta me fez o convite e eu  compareci com muita alegria e expectativa.  Cheguei
acanhado, ainda com o ranço de morador de cidade pequena, achando tudo grande e
importante. Foi lá que, pela vez primeira, vi os respeitados intelectuais da cidade,
como, Antônio Lopes, Piragipe, Martiniano Carneiro e outros.
Constituída uma diretoria, o primeiro presidente foi Martiniano Carneiro.
Mas, mesmo com o tom solene, as reuniões aconteciam de maneira informal, sem
ata ou coisas do tipo. Daí a dificuldade de hoje determinar a data de fundação da
nossa Casa. Só em 1984, quando então presidente Djalma Gomes, foi que a
assembléia resolveu legalizar a situação da Academia e, assim, esta foi registrada no
Cartório de Títulos e Documentos, com a data de 31 de maio de 1984, sob número
578, lv. A-6, fls. 216. Fomos considerados de utilidade pública através de Projeto de
Lei número 46/87, de 30.11.1987, de autoria dos vereadores Paulo Sérgio Aquino de
Azevedo Souza e Otto Emanoel de Carvalho Filho. A Lei foi sancionada sob
número 1090/88, promulgada, em 27 de maio de 1988, pelo então prefeito José
Falcão da Silva, e publicada no jornal “Folha do Norte”, pág. 4, edição de 11 de
junho de 1988. Posteriormente,  ganhamos personalidade jurídica quando nos
inscrevemos no Ministério da Fazenda, sob CNPJ 16.439.762/0001-29. Em
27.12.2005, ganhamos registro no Conselho Municipal de Assistência Social, sob
número 331. Aqui cabe um adendo: Quando do registro oficial, por um lapso,
alguns nomes de fundadores foram omitidos, como o nosso próprio. Assim, por
necessidade de formalizar nossa instituição, foi feito o registro em 1984. Porém,
nenhum acadêmico mais antigo deixa de reconhecer a instalação em 1976 e faça
questão de dizer, romanticamente: “-Nascemos na primavera de 1976”, já que, sem
registro, não há o dia exato.
Foram presidentes do sodalício: Martiniano Carneiro, Benjamim Batista,
Djalma Gomes, Dival Pitombo, Josué da Silva Melo, Franklin Cerqueira Machado e
Eduardo José de Miranda Kruschewsky.
No biênio 2005/2006, alguns acadêmicos que estavam afastados  voltaram
a freqüentar as reuniões e, unidos, partimos para a luta. Assim é que passamos à
realização de objetivos traçados, o que possibilitou a execução de projetos que
continuariam a ser meros planos, sonhados, só comentados ou timidamente
propostos, mas nunca executados por falta de condições objetivas, só agora criadas.
Sendo desejo comum, conseguimos a regularização fiscal, o site na internet, a
criação da “Medalha do Mérito Acadêmico”; a edição da Revista Acadêmica
(acalentado sonho de todos); a criação do CD “Poetas Feirenses” que tem mostrado
os valores poéticos da terra; o aumento de volumes de nossa biblioteca e,
incentivados por muitos, comemoramos, com galhardia, nossos trinta anos.
Façanhas conseguidas, graças ao espírito de equipe, sem distinção de nomes...
Estamos entusiasmados ao perceber que plantamos em terreno fértil, pois,
aos poucos, colhemos frutos: a Academia conquistou o espaço que lhe cabe por
direito no cenário cultural da cidade e vem se projetando na Bahia.
Ainda no ano de 2010, surgirá o Concurso Literário “Martiniano Carneiro”,
visando a publicação de uma antologia de contos e crônicas, publicando 25
trabalhos sem ordem de classificação. Mas... A nossa principal meta, no momento, é
a conquista da sede própria, embora hoje estejamos instalados, de maneira
satisfatória, em imóvel cedido pelo acadêmico Raymundo Antonio Carneiro Pinto.
Enfim, esta é a AFL, uma Casa que honra a cultura feirense. Sabemos que
ainda há muito a fazer, mas não nos amedrontamos com os desafios. Com o trabalho
coletivo, haveremos de conseguir!
EDUARDO JOSÉ DE MIRANDA KRUSCHEWSKY
Presidente 2005/2006 – 2007/2008 – 2009/2010